1930
Em um tempo em que o Norte do Paraná ainda era mata e promessa, José Juliani foi o homem que aprendeu a contar a história de Londrina por meio da luz. Com um olhar atento, alma sensível e técnica refinada, ele tornou-se pela fotografia um cronista visual da fundação da cidade.
Foi um clique — literal e metafórico — sobre a queda d’água do Ribeirão Cambezinho, no atual Parque Arthur Thomas, que chamou a atenção da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP). Foi contratado imediatamente com a missão de registrar tudo. E Juliani fez mais do que isso. Com sua câmera, eternizou os momentos mais significativos do processo de colonização: o corte das primeiras árvores gigantescas, o surgimento das primeiras ruas e avenidas, a chegada dos tratores, a construção dos primeiros prédios, escolas e igrejas.
Por quase duas décadas, ele foi o “olho oficial” da CTNP, acompanhando desde as grandes inaugurações — de bancos a lojas comerciais — até os gestos simples do cotidiano. Suas lentes captaram o suor dos pioneiros, o sorriso das crianças em eventos escolares, a fé das famílias reunidas em missas campais e o entusiasmo político de inaugurações e posses. Poucos fotógrafos tiveram o privilégio — e a sensibilidade — de construir um acervo tão poderoso e autêntico como Juliani.
Com o tempo, sua atuação ultrapassou os limites da CTNP. Juliani tornou-se também o mais requisitado técnico em manutenção de máquinas fotográficas da região, ofício que abraçou com a mesma precisão de seu trabalho artístico. Ao deixar a Companhia ainda nos anos 1940, manteve-se fiel à fotografia, como profissão e vocação.
Fontes: Boni, Paulo César; Unfried, Rosana Reineri. Memórias Fotográficas. Londrina: Eduel, 2012. / Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss / Acervo Londrina Histórica.
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